14.4.08

A idade dos "Como...?"



A "idade dos porquês" não é, definitivamente, uma idade certa: vai sendo!

Hoje, a famosa "idade dos porquês" parece não ter sido quando coloquei questões, agora básicas, aos meus Pais, mas sim agora que estou grávida.

Parece ter-me surgido em grande força aos trinta e tal anos... outra vez!, e a ela se ter juntado a idade dos "Como...?"

Porque dói aqui? Porque dói ali?
Porque molho ali?
Porque dá o coração uns solavancos?
Porque fica a barriga dura tanto tempo?
Como subir um pouco a tensão sem fazer asneira?
Como é que a barriga consegue crescer tanto?
Como fazer para ir à eco sem o maridão?
Como estará a nossa pequenota? Estará saudável e a crescer bem?
Como me irei sentir?
Como será o parto?
Será que ela vai virar?
Terei um parto vaginal?
Ficarei em condições, físicas e emocionais?
Conseguirei amamentar?
Serei uma boa mãe?
Porque é que não me deixam estar activa e, quase sempre, antecipam a hora dos nossos filhotes nascerem, retirando-lhes e a nós esse direito por natureza?
Porque terei de estar deitada e de pernas para cima?
Como ficar cómoda assim?
Porque não são os técnicos a acompanhar-nos, mas nós a eles?
Porque não nos dão praticamente o direito à escolha?
Como contornar isto?
Porque tenho tanto medo? Como diminuí-lo?
Como acertar no n.º de peças de roupa a ter para a bebé?
Como fazer a mala?
Porque acho que vai faltar alguma coisa?
Porque tenho a certeza de estar a ser exagerada, tantas e tantas vezes, mas só ter essa consciência à posteriori?
Como pôr estas hormonas em ordem e andar bem relaxada mais tempo?

Ok, ok! É a eco que se aproxima e a 1ª vez que o maridão não vai estar a partilhar o momento e os comentários da médica, ali ao lado.
Sou uma sortuda por contar com ele sempre e esta ser a excepção e não a regra. Mas... e se preciso dele? Ai, que cabecinha tão pensadora...
É também a contagem decrescente para o momento do parto, que acredito ser um momento extremamente forte. É o adorar estar nesta fase da minha/nossa vida, o aproximar-se de fininho uma nova e ter alguns receios. É o efeito novidade ;O)

Ai, que às vezes até tremelicam as pernas... Caguinchas!!

E estou é a ser egoísta, pois a minha irmã teve hoje consulta para saber resultados de análises à tiróide e se têm (ou não) luz-verde para avançar para FIV. Longe, onde ela está, e sem me ter ainda dado notícias, estou apreensiva. Para eles já contam quase 4 anos de luta, de expectativa, de sonho, de derrotas, de esperança, com a idade a chegar quase ao limite para tentarem PMA.

Bolas, quebro o silêncio e ligo? Vou aguardar mais um pouco.

8.4.08

Ponto da Situação

A consulta correu bem!

Esperámos um pouco mais do que é habitual, pareceu-me ver um raio de sol entrar no Espaço Fertilidade quando a Dr.ª Teresa entrou e, entretanto, chegou a hora de ouvir o meu nome e nos encaminharem para o gabinete da Dr.ª Elvira.

É incrível como, por muito que se tente, se tenha sempre espectativas minimamente definidas em relação a quem não conhecemos e vai-se criando uma imagem mais-ou-menos nítida no nosso imaginário. Assim foi com a Dr.ª Elvira!

Correspondeu em termos de me sentir nas mãos de uma pessoa em quem deposito confiança e considero boa profissional.
A imagem ficou muito aquém do meu imaginário e, acima de tudo, falta conhecê-la melhor e ela a mim.
Não me senti muito à vontade, apesar de ter colocado todas as questões que levava e ter ficado esclarecida.
Não me senti muito estranha na observação, apesar de ser a1ª consulta com ela.
Não me senti 100% em sintonia, pois somos animais de hábitos e uma mudança principalmente nesta altura da gravidez fez-me confusão (algo contra o que lutei, me senti extremamente segura durante a manhã e viagem, mas que veio à tona no momento da consulta e muito mais no pós-consulta).

Saí de lá com a cabeça um pouquito em novelo, que sabia se iria desfazendo com o passar das horas, dos dias. Hoje sinto-me mais serena, mais em sintonia.
Recordo mais facilmente os momentos da consulta em que me senti bem, do que os que me criaram pontos-de-interrogação na cabeça e um aperto enorme no coração.
Viu todas as minhas análises (muito boas!) e ecos. Aqui, chamou a atenção para, na morfológica, estar escrito que tenho a placenta anterior (à frente) e ter de ter cuidados redobrados para não levar pancadas que possam danificar a placenta, logo, a bebé, pois aí não há amortecedor com o líquido amniótico.
Confesso que mexeu comigo no momento e durante umas valentes horas.
Todos os cuidados de que me falou são os que tenho tido até hoje e senti que me estavam a pedir mais e eu não conseguia ou ficava paranóica, a controlar cada passo que dava, para não cair (especialmente de frente), para não ficar tonta ao volante e ter um acidente (estou com a tensão baixinha, o que é óptimo, mas há que ter cuidado rebobrado com as tonturas).
Depois, o evitar pancadas fortes, encontrões em móveis, brincadeiras bruscas com crianças, locais com muita gente, etc etc etc.

Nesse dia, vinda de uma consulta em que tudo estava bem e se recomendava, tive necessidade de falar, falar muito, e chorar.
O maridão teve uns problemas de trabalho a resolver quando chegámos e não estava cheio de disponibilidade, nem eu o queria preocupar e cansar mais, mas... à noitinha, já na camita, deixei o meu pensamento falar alto, enquanto as lágrimas corriam, sem vergonha, cara a baixo.

Porquê? Porque passou a ser um facto concreto deixar a médica anterior e concretizar isto demora um pouquinho. Porque tive medo de prejudicar a minha bebé ou de já o ter feito, sem dar por isso, e lembrei-me de quando andava de calças apertadotas nos 1ºs meses. Porque, apesar de ser normal, foi uma novidade para mim e me ficou a estalar na cabeça a forma como a médica falou: "Quero alertá-los que a minha experiência de muitos anos me diz que, quando há surpresas no parto ou com os bebés, muitas vezes tem a ver com a placenta ser anterior."
Depois as questões das cacetadas, de conviver ou não com crianças, de ter a tensão baixita e de ter de ter bastante cuidado.
Já à saída, tive necessidade de perguntar: "Tudo o que me disse sobre a placenta anterior não quer dizer que esteja alguma coisa mal, certo? É só um alerta para ter cuidado e até agora está tudo bem, é isso?"
Senti-me um bocado infantilóide a perguntar isto pela 2ª vez e expliquei preferir voltar a fazê-lo do que vir com minhocas na cabeça.
"Até agora tudo bem, sim! O que sabemos é sempre o presente, não o futuro!"

Bom, como dizia domingo uma grande amiga e colega de profissão: "Não podes controlar mais do que a tua disposição, tranquilidade e alegria de viver essa gravidez que é um momento único na tua vida, acredita!" e é bem assim!
Soube-me bem falar com ela, ouvi-la (sábia como sempre) e sentir o seu carinho e amizade.
Num domingo que foi uma delícia para mim/nós (já sem paranóias na cabeçorra e porque:
- estava um sol maravilhoso
- estava uma temperatura de verão
- vesti-me como gosto, à vontade, de saia, camisola de cava e chinelos
- fomos almoçar fora tranquilamente
- a paparoca, o espaço e o serviço foram 5 estrelas
- encontrámos amigos
- convivemos e estivemos numa boa esplanada)
foi mais um momento bom a acrescentar ao dia!

Desde ontem que, como no resto do país, está cinzentão e chove bastante, mas absorvi de tal forma o sol que esteve a semana passada e o cheirinho a verão que se aproxima, que hoje até achei piada estrear o meu guarda-chuva novo a caminho da aula de preparação para o parto (onde me voltei a sentir muito bem).

Bom, entretanto o maridão chegou a casa.
Sabe muito bem vir aqui passear-me, mas agora é hora de partilha, paleio e enroscar um no outro, abraçadinhos ou a ver uma bela série.
Fui :O)

Nota 1 - Temos ecografia dia 16 (anteciparam do dia 23 e o maridão, pela 1ª vez, não vai poder ir e estar. Como ele me dá muita segurança, fico meia despernada e triste. Com medo que algo não esteja bem e não o tenha logo ali ao lado. Com pena de ele não ir ver a nossa pequenota nesse dia, pois na semana passada não houve eco - ouvimos, e bem!, a nossa filhota) e consulta dia 23.

Nota 2 - Ontem a minha Mãe avisou-me para o tema do "Portugal no Coração". Pus a gravar, pois tinha de ir trabalhar. À noite deliciei-me a ver o programa, os depoimentos, a informação que passou e como passou, as questões que foram colocadas, a força que as mulheres presentes transmitiram, a alegria, esperança e coragem nos seus olhos e palavras.
Muitas já conhecia de nome, agora conheço-lhes a fisionomia e, de algumas, as fotos dos filhotes (lá chorei eu de felicidade).
Porque nunca é demais dizê-lo: OBRIGADA APF! OBRIGADA A TODAS VÓS!
Talvez ainda este ano, tenciono retomar o projecto da criação de um Grupo de Apoio por estas bandas. Venha a catraia, corra tudo bem e aí vou eu, de cabeça :O)

31.3.08

Apontamentos

Love

- Depois de amanhã consulta.
- Estará tudo bem?
- A actividade que tenho sentido corresponde a saúde por parte da pequenota?
- Será que se prepara para virar?
- A barriga ir ficando dura de repente serão as ditas contracções de preparação?
- O que são as picadas "tipo agulha" que tenho sentido na vagina e na bexiga?
- E as perdas de urina? Como andar descansada com o penso dia-a-dia a ficar, volta e meia, molhado? Serão sinónimo de futura incontinência?
- Aquele leucócito na análise sumária da urina: temos infecção à vista?
- Como será esta 1ª consulta com a nova médica (Dr.ª Elvira, sim!)?
- Será que vou gostar dela e sentir-me segura?
- Como irá reagir à quantidade de perguntas que me povoam a cabeça em relação ao parto?
- Qual a abordagem dela no que toca ao parto?
- Que respostas terei e como me irão soar?
Angústias que apertam sempre com o aproximar das consultas, insufladas por não conhecer esta médica, que será quem nos acompanhará daqui para a frente, nesta etapa que sei ser forte e continuo a desejar saudável e bela: o percurso até ao parto e o parto.
Incrível como tenho saudades da Dr.ª Teresa, da forma como me tranquilizava e até brincava durante as ecos...

- Conduzir começou a ser tarefa chata e incomodativa.
- Andar de carro, mesmo ao lado, dispensa-se verdadeiramente.
- O peso na bexiga aumenta de dia para dia.
- A posição para dormir começa a ficar difícil de encontrar ou manter.
- Subir 10 escadas põe-me de "língua de fora".
- A tensão estava a 10,4 - 6,0. Antes assim que alta, mas há alturas em que "não aguento com uma gata pelo rabo".
Queixinhas menores de uma grávida de primeira viagem, muito orgulhosa de o ser, que vai constatando as mudanças no corpo, nos pensamentos e no comportamento.

- Quarto já pintado.
- Grandes (des)arrumações para tentar ter "o ninho preparado" quando a amorzinha nascer.
- Primeiras máquinas de roupa de bebé e a 1ª já passada a ferro.
- A próxima será das coisas que tanto nos deu prazer ser nós a comprar.
- Ainda a aguardar a decisão da cómoda: IKEA ou mandar fazer? Quero começar a arrumar o que fica lavadinho e passado.
- Lençóis, toalhas de banho e roupa na quantidade certa.
- Avó a bordar babetes em ponto-de-cruz (é mestre no assunto!).
- Eu a iniciar a 2ª fralda, bordada também em ponto-de-cruz.
- Intercomunicador já adquirido.
- Alcofa emprestada por amiga.
- Ovo em 2ª mão oferecido pelos compadres.
- Serenidade, Compreensão, Tranquilidade e Amor com o cara-metade.
Notas que apetece colocar, para não ser só receios, medos e "cagufos", que esta viagem tem MUITO DE BOM!

27.3.08

SNS - o outro lado da moeda



Sim, hoje venho contar o "outro lado da moeda" da história do Centro de Saúde. Como também gosto de escrever coisas boas... cá estou eu!

Depois de ter ido assistir à aula (particular) de Preparação para o Parto e não ter vindo de lá muito satisfeita, hoje voltei ao Centro de Saúde.

Tinha uma consulta marcada com a minha Médica de Família: queria mostrar-lhe a última eco e análises, pedir-lhe um "teste na hora" à urina (para perceber se é a miúda que anda aqui a apertar o rim e uretere ou se estava a fazer um infecçãozinha urinária) e contar-lhe o sucedido. Assim foi!

9:30 lá estou e a consulta correu muito bem. Um sorriso, o ouvido atento, a análise à urina a dar tudo ok (Yes!) e aí vamos nós à parte das aulas. Não me alonguei muito, expliquei o essencial e perguntei se valeria a pena tentar falar com a Enf.ª responsável pelas aulas.
"Claro que sim! É uma situação diferente, mas eu estou a par. Vá falar com ela agora e explique-lhe."
Agradeci e aí fui eu toda confiante (e contente por a urina estar bem e se recomendar).

Aguardei um pouco e oiço uma voz simpática. "Quem é a menina grávida?"
Sorri, levantei-me e lá fui eu.
Perguntou-me logo se era para as Aulas de Preparação para o Parto e confirmei. Expliquei que uma colega sua me tinha dito eu não ter direito a tal, uma vez que a gravidez está a ser seguida no privado. Continuei, explicando que estive alguns anos para engravidar, fiz uma IIU e a minha Médica de Família esteve sempre a par.

"Pois claro que vem! Uma coisa não tem nada a ver com outra. Está inscrita no Centro de Saúde, não está?"
"Sim, há anos..."
"Então venha 3ª feira, que esta semana não há."
"E é tudo? Basta aparecer?", perguntei, quase sem querer acreditar na simplicidade inicialmente óbvia, para mim, da coisa.
"Sim. Diga só que falou comigo hoje, que eu lembro-me de certeza."

Agradeci e vim com um sorriso enorme e a sentir-me leve que nem uma pena... apesar do peso da pequenota :O)

Assim sim! O nosso SNS também tem bons técnicos. Apesar de alguns serem amargos como vinagre, há quem compense com o seu profissionalismo, compreensão e até doçura.

Ora pois!

18.3.08

Sistema Nacional de Saúde?!


Escrevi há pouco a uma amiga:

"Acreditas que fui ao Centro de Saúde a que pertenço para me inscrever para as Aulas de Preparação para o Parto e vim de lá a saber que, como a minha gravidez não é lá acompanhada, não sou considerada utente para usufruir das aulas e "parte-se do princípio que quem tem dinheiro para acompanhar a gravidez no privado, também o tem para fazer a preparação no privado".
Estupidamente calma e serena, coloquei algumas questões ("Já fazem Inseminações Intra Uterinas aqui?", "Sabe por acaso porque sou acompanhada no privado?", "Por poupar trabalho ao Estado, não sendo aqui acompanhada na gravidez sou penalizada e já não posso usufruir dos meus direitos como cidadã que desconta todos os meses?", "O que está escrito no meu cartão de UTENTE?").
Quando cheguei cá fora permiti-me ferver e ficar piurça. Ontem venho a saber que a "cabra" que falou comigo é a Enf.ª chefe daquele módulo. A sério?! Nem quis acreditar!
Pode-se explicar "por a+b" porque quem é acompanhado lá na gravidez tem prioridade, mas não recorrendo aos dinheiros que não se saber se cada um tem ou não tem ou o que faz com ele.
Bahhh, obrigada pelo desabafo!"


Isto já se passou na semana passada e hoje vou a uma aula de observação... no privado. Preciso e o Estado não me permite usufruir de um serviço de que dispõe e ao qual tenho direito.

Nesse dia, recordo que informei a Sr.ª Enfermeira que a minha médica de família não só estava a par da minha gravidez, como de todo o processo doloroso e demorado para a conseguir.
Sugeri, então, inscrever-me.
"De quantas semanas está?"
"27", respondi.
"Isso é uma gravidez não acompanhada!"
"Mas eu tenho todos os exames que fiz até hoje e penso que nenhuma lei me obriga a vir a correr para ser acompanhada mal sei que estou grávida. Posso estar bem e só agora achar necessário."
Ignorou-me e questionou o administrativo (sempre extremamente simpático e prestável, por sinal): "Ela está isenta?"
"Sim", respondeu ele. "A Dr.ª passou a isenção aos 3 meses."
"E pasa-lhe as análises que são pedidas noutro lado?"
"Sim, sempre. Tem sido impecável", voltou a responder o funcionário.
A Sr.ª Enf.ª ficou chocada, incrédula e ainda teceu 1 ou 2 comentários, mais ou menos entre dentes, em relação à médica. Olhou para mim e questionou:
"Sabe que nenhum médico é obrigado a passar-lhe análises?"
Nem queria acreditar!!
"Mas se a médica concorda com elas e é um direito meu, penso que é um assunto entre mim e ela, não?" E acrescentei: "Já gasto tanto dinheiro porque a minha situação a isso me obriga..."

E tive de acrescentar quando saí: "Penso que o apoio que a minha médica me dá e o facto de estar isenta não retiram nada ao salário de quem aqui trabalha e é um direito meu! Para isso trabalho e desconto todos os meses!"

Bom, tinha de deixar isto escrito!


A Páscoa foi muito boa mesmo: com família, sol, boa disposição, umas caminhadas e fotos malucas :O)
Que a vossa também tenha corrido muito, muito bem!

Que título colocar?!


Sim, estou de volta e com muita vontade de partilhar o meu sentimento de alegria e serenidade após a consulta do dia 11.
Primeiro tivemos direito a almoçar com uma grande amiga e colega e ainda ganhei umas calças emprestadas que vieram mesmo a calhar. Giraças, castanhas, bem confortáveis. Como já lhe disse e é verdade, "vou tratá-las com carinho".
De seguida, a consulta. A nossa pequenita está bem e recomenda-se! Entrámos nas 27 semanas com um sorriso na cara e cada vez mais "pancadinhas de amor" na barrigota.
As análises estavam boas e consegui, uma vez mais, evitar a toma de ferro.
Foi a última consulta com a Dr.ª Teresa e vamos passar para a médica que nos vai acompanhar até ao parto. Já temos consulta marcada para dia 2 e, como a médica diz não se justificar fazer a morfológica 3D das 29 semanas, vamos confiar e evitar mais uns ultra-sons.

Depois de algumas consultas (no início do processo) em que vim a deitar fumo pelo "feitio" da médica, custou-me "deixá-la". Uma vez mais tenho de dizer que a sua postura mudou bastante ainda antes da Inseminação e gosto muito do seu atendimento, profissionalismo e atenção.
Agradeço-lhe imenso tudo o que fez e como o fez. Ainda nos vamos cruzar naqueles corredores, como ela disse, e será um prazer!

A seguir, muito rápido, uma visita a uma enfermeira amiga na Daniel de Matos e ficar a conhecer um pouco o local onde esperamos nasça a nossa pequenita. Muito calor e alguns medos a avassalarem-me o coração: Será que vai correr tudo bem? Será que vou chegar a tempo ou tenho de me entregar nas mãos dos incompetentes aqui do pedaço? Nascerá mesmo com saúde? E eu, como me portarei e ficarei a seguir?
Muitas perguntas e muitas emoções que lá reaparecem em alguns dias, as insistentes. Ok, chatas mesmo!

Entretanto, no fim de semana anterior, "pisgámo-nos" 4 dias daqui e fomos para a Invicta. Mudar de ares, de paisagem, de ritmo e namorar, namorar muito!
Passeio, turismo (Serralves, Ribeira, Mercado, Palácio da Bolsa, Feira dos Pássaros, livraria Lello e outros que tais), visitar amigos, ir à Noite da Grávida (no dia da Mulher) e aconselhar vivamente o Pano Porta-Bebés da Zélia Évora (que falou no dia seguinte na RTP1) e as suas babylegs (já adquirido, mas com vontade de ir adquirindo mais) e... comprar algumas coisas para a nossa filhota.
Cama e colchão, protege colchão, lençóis, cabides pequenos e coloridos, um conjunto de 3 cestos de arrumação para trocador e uma hipopótama sedutora de peluche cor de rosa, cauda verde alface e patas às riscas laranja no IKEA, alguma roupa bem colorida numa loja em Matosinhos e a continuação da análise conjunta e divertida do "livro dos nomes", à noite, no hotel.
Pelo meio, comprar dois soutiens tamanho acima ;O) e umas jardineiras (o máximo!) e tudo aqui para o conforto da malta.

Entretanto, voltar ao quotidiano, recordar bons momentos e continuar a fazer por e ter outros.
Algum trabalho, arrumações, caminhadas, "namoro" com os Pais (já estava com saudosite aguda!!) e aguardar os dias de Páscoa para ver a mana e o cunhadão.

E ler, saborear e agradecer cada palavra que me deixaram neste meu canto, com tanto carinho e apoio, sempre. MUITO OBRIGADA! Do coração!
Fiquem muito bem!

5.3.08

Frágil




Por vezes lembro-me deste meu cantinho e sinto falta de cá vir conversar com as palavras.
Por vezes sinto é vontade de usar esse tempo a saborear a vida e a barrigota, os amigos, as paisagens, o sol.
Por vezes evito encontrar-me aqui, como que ao espelho, e desabafar.

E assim passo pelos dias!

A consulta do dia 7 correu bem, apesar de eu ir um bocado mal-dispostita na viagem e o ânimo com o maridão não ser dos melhores...
Boa eco, boa consulta, requisição para análises e o achar-me "branquita". Não houve espírito para grandes voltas por Coimbra e o regresso a casa acabou por se dar mais cedo, pois a inspiração era mesmo muito pouca.

Dia 11 temos novamente consulta, mas pelo meio fomos 2 vezes às urgências, que aqui a minha pessoa entrou em stress e provavelmente somatizou para lá das dores que um estiramento dos ligamentos do útero provocou.

Já com uma nova faixa de gravidez a dar maior suporte à barrigota, eis que o incómodo se mantinha, a origem das dores não estava bem confirmada na cabeça e toca a visitar o hospital. Fui muito bem atendida, vi a minha pequenina com o pé encostado à testa (qual ginasta em treinos) e tive confirmação do diagnóstico (feito ao telefone pela médica). Saí de lá bem melhor e com receita de magnésio para ajudar a recuperar a parte muscular.

Nessa semana senti-me terrivelmente xôxa e ansiosa e mil e um pensamentos me povoavam a cabeça e atormentavam o coração.
Estava agitada, inconformada, com medo, angustiada.
A minha melhor amiga tinha sabido, às 9 semanas, que o seu bebé tinha deixado de crescer 3 semanas antes e teve de ser internada. Mexeu muito também comigo e, no dia em que a visitei, deparei-me com uma fulana que ía no 5º aborto provocado aos 5 meses. Haja sangue frio para não fugir dali a correr, pois os sentimentos ficaram em turbilhão dentro de mim e, ao ver o seu ar descontraído, são soube o que pensar ou sentir.
Durante mais de uma semana andei a digerir as duas situações, com revolta e pena dentro de mim, com muita tristeza e muita dor. Sou assim...
O marido separou completamente as águas e criticava o meu sofrimento, o que o aumentava.

Nesse sábado, dia 23, entro em parafuso (até porque tinha a cueca húmida e pensei logo no líquido amniótico) e regresso às urgências daqui: sou excessivamente mal atendida, um pouco magoada na observação e mal medicada. Confirmou-se não estar a perder líquido (alívio!!), mas vem a hipótese de uma infecção urinária e de uma infecção vaginal, mesmo não tendo sintomas de nada. "Como precaução, queridinha, cê vai tomá esse antibiótico e colocá esses óvulos." Pergunto mais do que uma vez porquê e só obtenho como resposta: "Cê tem di confiar, querida! Vamos lá sossegar essa mãe. Nada disso vai te fazer mau. Confia, querida." Informo que tive de tomar antibiótico há cerca de um mês e volto a insistir que não tenho sintomas de nada (conheço bem as infecções urinárias e não há cá comichões nem ardor na vagina). Insiste. Explica tudo o que fez à 1ª médica que me recebeu (não sabia ler a eco, não soube ouvir a bebé, fez perguntas e comentários do arco-da-velha. Uma vergonha!) e ao enfermeiro que sempre viram e acompanharam tudo. "As melhoras, queridinha!" e já estou cá fora para carimbar a receita. É a médica da minha amiga e confirmo uma negligência total!!
Só no domingo, é com telefonemas que consigo acalmar e sentir-me mais confiante: ao meu urologista (que confirma ter-me sido receitado antibiótico de uma forma gratuita por não ter sintomas e me elogia por evitar o antibiótico até fazer análise à urina, para lá de falar com esposa - ginecologista - que confere não ser indicado óvulos sem sintomas de infecção!), uma amiga que trabalha no laboratório de análises do hospital, uma amiga, a irmã, a Mãe.
É fim-de-semana e temos visitas. Apetece-me berrar, fugir, mas não convém e marido e visita insistem em passear, relaxar, visitar museus, almoçar fora.
Acredito que a intenção tenha sido boa, mas para quem tinha algumas dores a mexer-se e o coração amarfanhado, não era a solução. Precisava deitar cá para fora os meus medos, ser ouvida, chorar e confirmar se estava a fazer bem em não tocar na medicação que me tinha sido prescrita. Precisava do ombro do meu cara-metade, que insistia em não mo dar para eu "não alimentar as angústias".
A visita foi embora domingo, depois de uma conversa muito séria, em que "agradeci" a falta de apoio a quem veio para me visitar e à minha barriga. A quem expliquei que é mais fácil dizer que não se sabe o que fazer ou percebe do que fazer um esforço para. A quem não se atreveu (tal como o meu marido) a aproximar e enfrentar a fera magoada em que eu me tinha transformado e optou por dar alguns passeios comigo em casa.

Nessa 2ª feira o resultado da análise à urina confirmou não estar com nenhuma infecção e não precisar de antibiótico nem óvulos antifungicida. Senti-me aliviada e contente por ter sido cautelosa e muito orgulhosa (ao mesmo tempo que revoltada) por ter acabado por resolver tudo praticamente sozinha.

Com o marido a tentativa de conversa desaguou em desconversa e choro, muito choro da minha parte. Senti-me muito só! Senti-me incompreendida e críticas era o que menos necessitava, assim como a presão para "estar bem por causa da bebé". Não depende em exclusivo de mim, certo? No final, ouvir "Quem me dera ser eu a estar grávido!" Magoou fundo!
Mas a semana foi rolando, eu retomei o trabalho sem forçar e com muita necessidade de me distrair e assim aconteceu. Mais ocupada, menos espaço para angústias e frustrações!

Planeamos agora 3 dias fora, tendo em conta que o assoberbar de trabalho o impede de se ausentar mais tempo e para mais longe.

A vontade de distrair, passear e namorar não tem sido quase ouvida. O tempo livre tem sido ocupado a caminhar com colegas ou frente ao computador. Eu sinto que tenho ficado com "os restos", quando as companhias para as caminhadas não saiem ou a net funciona mal.

A preocupação em manter "a chama acesa" da amizade e o investimento têm sido grandes, mas uma vez mais (também na minha maior sensibilidade de grávida) o investimento no "a dois" tem sido esquecido ou não valorizado, se é que lembrado e canso-me de lembrar, de sugerir, de planear!

Como dizia uma amiga há pouco: "Podemos não ser o centro do mundo deles, mas faz-nos bem sentir que sim, principalmente quando se está grávida.". E é bem verdade!
Nunca me senti muito "a prioridade", mas agora sinto mais essa falta, tenho mais essa necessidade que é satisfeita muito menos vezes que o por mim desejado.
Ser prático e racional sempre foi a sua postura, mas eu sonhei e sonho (estúpida?!) com um pouco de romantismo, de "regar da plantinha", de... mimo, pois então!

Talvez esteja mesmo egocêntrica, talvez esteja centrada demais em mim. Será?!

Porque há, tantas vezes, uma maior verbalizar de emoções da parte de outros do que da dele? Porque só há dois dias (porque eu sugeri) sentiu a nossa filhota mexericar? Porquê a palavra "responsabilidade" é por ele tantas e tantas vezes proferida, mas sempre em relação ao trabalho? E ao lar? À família que construímos? Ao amor que eu sei existe em nós?
Porque investe tanto no que vê menos vezes, no que está mais longe e parece esquecer-se do que tem ao lado? Só dará valor à poça quando ela secar? Não quero esse dia!

Não escrevo em busca de palavras de consolo. Escrevo num acto de pura catárese, necessária à minha sanidade mental.
Escrevo com a consciência de poder exagerar e só estar a ver o lado que me magoa e me faz sofrer. Mas hoje não é do outro (que é grande!) que preciso falar.

Frágil! Por vezes, sinto-me frágil como uma papoila ao vento, mas em alguns desses dias faço-me de forte.

31.1.08

Falta o nome...


Bem rapidinho, mas porque não posso deixar de escrever umas palavras, aqui vai:
1 - Com muita nervoseira à mistura, fomos ontem fazer a eco morfológica e, depois do suspense (pois a médica esteve quase sempre calada e concentrada), soubemos que... ESTÁ TUDO BEM!
2 - Depois de nos ser perguntado várias vezes se queríamos mesmo saber o sexo do bebé, soubemos que... é uma MENINA!

Estamos muito mais sossegados com o resultado da ecografia. As lágrimas corriam-me ao ver os vários órgãos, a coluna, as costelas, o cérebro, pernitas, braços, mãos e pés.
Como não conhecia esta médica, estive sempre a limpar as lágrimas à socapa e só à noite, já na cama, senti de uma vez por todas e disse-o: "FILHA!"
O maridão já dormia e eu não o quis acordar (por muito que me apetecesse abraçá-lo), por isso chorei baixinho, com um sorriso imenso nos lábios, enquanto afagava a barriga e demonstrava à minha pequenina o quão feliz estou por ela existir.
Foi uma noite de muita emoção e o pensamento voou com asas grandes, fez piruetas e voltou a ganhar altura. Vi as 4:30 e às 07:00 já estava de pestana bem aberta.

As antenas estão, finalmente, sintonizadas. Começa agora a odisseia do nome...


Como ontem foi só a eco, temos consulta dia 7.
Que continue tudo a corer bem, a todos nós!

23.1.08

A semana passada

retirado de elotopia.net


Desde a semana passada andamos, finalmente, de nariz limpinho e sorriso na cara.
Os dias têm estado muito bonitos, cheios de sol e céu azul e já voltámos a dar umas caminhadas (mas ainda se sente a ferrugem....).

A semana passada foi a semana de pedir para ver e mexericar nas roupitas que uma prima disponibilizou e espreitar também os lençóis, os babetes e as fraldas. Separar os que têm o nome do meu afilhado e ficar a olhar estarrecida para aquela roupa tão pequenina e macia.

A semana passada foi a ida à Feira do Bebé, onde perdi mais um pouco o medo e comecei a raciocinar sobre o que já sabemos que vamos ter, o que fazemos questão de comprar, o que é mesmo necessário, o que nos dá prazer. Foi a altura de perceber que o maridão-Pai, apesar da sua grande e imensa carapaça, estava ainda com mais receio que eu de comprar a primeira peça, nem que fosse um babete.

A semana passada foi o colocar em prática uma ideia e vontade de há muito tempo: escrever a história do nosso filhote/a ainda antes de ele/a nascer, com relato de emoções, reacções, receios, desejos e aventuras. Já tem uso o livro/caderno que comprámos, da UNICEF.

Mas o melhor da semana passada foi... ter-te começado a sentir, bebé! E da minha boca, às 2 da matina, deitada na cama, saiu um "Ohhhhh?!", acompanhado de um sorriso gigante na cara.
Comecei a acompanhar as piruetas, supondo como são, começando a perceber a que horas acontecem mais ("hora da rave", como eu lhe chamo) ou te entregas à calmaria e suponho que durmas.

Já estou com as antenas sintonizadas para rapaz ou rapariga, de igual forma, novamente.
Se só souber o sexo no dia do nascimento, tudo bem!
Aguardo a ecografia e vou fazendo muitas festinhas na barrigota e converso cada vez mais. Hoje falei sobre a missão importante que nos aguardava, em termos de trabalho. Demos-nos bem!

Fico muito feliz por cada vitória conseguida, cá em casa e na casa de quem tanto tem lutado.
Continuo a torcer muito por quem continua a tentar engravidar e voltei a juntar à lista a minha querida irmã. Reiniciou 2ª feira nova caminhada.

11.1.08

Barriga "Kinder Surpresa"


Sim, aqui a barrigota da miúda ficou "baptizada", na 3ª feira, depois de termos tido consulta. Porquê? Suspense!

A angústia que me vai assolando pedaços de dia nos dias que antecedem qualquer consulta foi dimunída pela minha dificuldade em raciocinar e manter os olhos abertos desde sábado. Com uma valente constipação, fiquei verdadeiramente "lerda", quase incapaz de fazer raciocínios simples. Muita dorzita de cabeça, lenços de papel, quadrados de rolo de cozinha e rolos de papel higiénico povoaram esta casa e a eles me agarrei, como se se tratassem de bóias de salvação. Espirros, ouvidos "entupidos", o corpo a pedir cama e os sons estranhos que se produzem nestas alturas. Boas distrações para dias pré-consulta.

Na 3ª lá me arranjei, lenta como um caracol preguiçoso, e rumámos a Coimbra.
Já lá, o "almoço" foi de correria, porque a lentidão da Mãe-Caracol fez com que chegássemos a escassos 20 minutos da hora da consulta. O Pai-Caracol (que nada tem de caracol, note-se!) lá se controlava para não mandar uma boquita e engoliu uma sandes bem a correr. Aí vamos nós!

Entrámos esbaforidos, descansei um pouquinho, pesar ("Aumentei 3 quilos? Como? Onde? Bem, esta barriga tem que ter peso e até agora ainda não tinha aumentado nada!"), medir tensão (boa!) e aí vem o saiote branco, o chinelo e o suspense.

Depois de algumas perguntas, eco. Já foi feita na barrigota, depois de umas apalpadelas e medições. Confesso que me pareceu menos nítido e duradouro, mas o principal estava lá: o nosso bebé, com o coraçãozito a pulsar bem e com "boas formas".
Vi um rabiosque delicioso (estou a fazer cara de malandra!!), as pernocas e a boquita a abrir e fechar. A médica lá tentou mostrar um olho, o nariz e uma orelha, mas a malta para lá de lentificada estava mesmo a ter dificuldade em perceber a imagem.

"Já falámos do sexo?"
"Sim, deu um palpite!"
"E qual foi?"
"Que sería rapaz."
"Pois. Isto hoje de rapaz não tem cá nada... Mas ainda não tive tempo para ter um palpite."

E esta, hein?!
Sua Excelência mostrou bem o rabiosque, é verdade, mas quanto a mostrar-se de frente... nickles batatóides!
A médica esforçou-se por "espreitar", mas só conseguiu repetir "Pois, de rapaz não vejo cá nada hoje, não. Vamos ver!"
E fica a malta em suspense!
A morfológica ficou marcada para dia 30. Talvez aí já se saiba.
Que foi uma reviravolta nesta mona, foi. Apesar de não haver uma certeza quanto a ser rapaz, no meu imaginário já um rapazote se formava e com essa imagem muitos pensamentos, sentimentos e tudo o que vem atrás.
Agora não há quase a certeza de ser rapariga, o que me deixa um vazio mental estranho. Como imaginar o meu bebé? Assim mesmo: um bebé!

A consulta que se seguiu foi muito boa. Vi e percebi bem os resultados do Rastreio e quase esqueci que existem amniocenteses. Isto de haver tantos meios de diagnóstico é bom, mas deixa-nos dependentes e com pensamentos e hipóteses que se dispensava!
As análises estão boas (continuo dispensada do suplemneto de ferro), o Utrogestan já é para reduzir e a Aspirina deixa-se em breve, também. Ficam as vitaminas, pois está bem.
Fiz algumas perguntas, o maridão acrescentou a parte do parto ser, em princípio, em Coimbra (anda-lhe a fazer uma confusão que nem disfarça) e saímos de lá bem mais esclarecidos, com respostas calmas e completas, uma disponibilidade para as nossas dúvidas de "Pais de 1ª viagem" e a certeza de o parto ser na Daniel de Matos (a não ser que haja algum imprevisto, coisa em que não vou perder tempo a pensar).

Já na rua, digo ao meu marido: "Com que então pode não ser um gajinho!! Bem, desde que seja um dos dois, tudo bem!" e acrescento: "No máximo em Junho sabemos. Comprem os bilhetes e venham assitir ao espectáculo!"
Pouco depois, no Fórum (onde fui comer bem mais descansada, comprar um livro do Mário Cordeiro, comprar um robe quentinho -tenho rapinado o do maridão!!- e espreitar soutiens), dou por mim a repetir a 1ª frase que me saiu à saída do Espaço.
"É o que eu digo: desde que seja um dos dois, tá-se bem!" mas dou por mim a continuar o raciocínio, que antes parecia somente uma piada: "É que às vezes há problemas a este nível, caramba!"
Do maridão oiço um raspanete rápido, tipo "Lá estás tu com essas coisas. Tinhas de arranjar outra, caramba. Cala-te lá com isso!". Eu calei, mas a verdade é que um medo semi-secreto fez um frio arrepiante no estômago. Distraí-me, afastei a raça do pensamento sempre que lhe sentia o cheiro e respirei fundo. "Vai correr tudo bem! Vai é ser uma gaja e agora é preciso sintonizar no outro canal. Tudo bem. O principal é que está tudo bem e o sexo pode ser que já se saiba na morfológica."

Bom, telefonemas e sms da praxe (numa das respostas que recebi lia-se: "A tua barriga é um verdadeiro Kinder Surpresa" e a expressão ficou, após uma valente gargalhada), lanche do "meu sócio", soutiens que não dão e vamos pra casa que estou toda entupida e já é de noite.

À chegada, jantamos fora e, a caminho de casa, paramos para falar com 3 amigas. Contam-se as últimas e oiço "Ainda sai um hermafrodita!". Arre gaita!!! O maridão continua como seu sorriso e eu fico piurça por não dar o mesmo raspanete que me deu e angustiada com o que acabo de ouvir. Safa!!
Até ontem à noite não mais ouvi asneirolas destas e aguardo, com calma, a morfológica. Ou outra. Ou ter o meu bebé nos braços.
Mas ontem à noite, cá em casa, sai da boca de um amigo o mesmo comentário. Com este eu estou bem à vontade e não me calo. Sai-me uma asneira valente da boca e pergunto se ele sabe as implicações que isso teria. Que piadas que tenham a ver com a saúde do bebé não são piadas e não gosto nada de as ouvir.
Sei que é o meu medo a voltar, por isso termino com outra asneira e um tom bem sério, na voz e na cara.
E aqui permito-me contar esta agonia que por momentos me assola e, às vezes a custo, mando passear. Xô!

Voltando a 3ª! A ida a Coimbra pôs-me pior da constipação e à noite, já passava das 2 da matina e eu tipo frango-grávido-no-churrasco, de tantas voltas dar, as assoadelas quase intermitentes, lembro-me: "Vapores!" e salto da cama, rumo à cozinha. Meio ben-u-ron, leite morno com mel e uns vapores. Regresso outra ao quarto, já capaz de adormecer, depois de umas fungadelas mais.

4ª feira estive de gatas, de molho, no choco. Não fiz nada de jeito. Li um bocadinho, comi alguma televisão, fiz o mínimo indispensável quanto às refeições e dormi toda a santa manhazinha.

Ontem, 5ª, voltei a reconhecer-me. Como ainda espirrava e fungava bastante e não tinha nada inadiável, eu e o maridão achámos por bem manter-me em casa. Mais uma manhã que se passou a dormir e à tarde vieram os avós do "Kinder Surpresa" visitar-nos.

Hoje o dever chamava-me e não havia volta a dar-lhe. Também me sinto melhor, mas assustei-me com o frio cortante da rua e andei com muito cuidadinho. Pareceu-me ver neve (em vez de chuva) no vidro do carro, mas foi só um "pareceu-me". Aproveitei para ir buscar uma receita ao Centro de Saúde, comprei fruta e o meu amigo "Creme Gordo", que estava a terminar. Carreguei o telemóvel, voltei a sentir o frio cortante e voltei ao ninho. Brincam!!


Nota: Na semana passada, uma das minhas amigas do peito confirmou estar grávida. Ri-me tanto que já quase irritava a rapariga.
No fim de semana, confirmei as minhas suspeitas quanto à gravidez de outra amiga. "Connosco é assim. É logo!", disse referindo-se ao facto de ter sido no 1º ciclo em que tentaram, tal como do 1º filho. Fico muito, mesmo muito contente que assim seja, mas dei por mim no dia seguinte a pensar porque penam tanto uns e outros não.
ESTOU COM TODAS VÓS!