29.8.08

Sol de pouca dura...



Sol de pouca dura... mas lá fora o sol brilha e eu insisto em não o ver!

Sinto-me novamente em baixo, cansada, com dificuldade em dormir e sem vontade de sair de casa... e farta de cá estar, também.
Cansada dos dias rotineiros que persistem em existir e eu em deixá-los permanecer assim.

Desorientada também com a falta de perspectivas profissionais, após a licença de maternidade, e sem iniciativa para inverter a situação.

Insegura com mil e uma coisas!
A passar pelos dias e pelo seu potencial imenso de cara baixa, lágrimas nos olhos, nó na garganta, com uma tristeza que me toma conta de todo o peito (todo o corpo?!) por não estar a reagir como desejo e sempre sonhei. Por não estar a aproveitar (nem deixar aproveitar) a minha filha como, acima de tudo, ela merece.

Muitos momentos não vejo "a luz ao fundo do túnel" e sinto-me um fardo, uma falhada, perdida num caminho que não conheço.

Há uns tempos uma amiga disse-me "Tens duas hipóteses: podes olhar para trás, daqui a 5 ou 10 anos e pensar: Consegui dar a volta! Fiz mil e uma coisas, expus-me aos meus mais íntimos medos, sofri que nem uma condenada, mas consegui... ou podes ver o contrário...".
Ela, como outras Amigas, acreditam que consigo várias coisas. A verdade é que... me falta a mim acreditar e isso está-me a matar aos pouquinhos.
Destas palavras tenho-me lembrado muito e já me fizeram arrebitar algumas veezs, mas não ultimamente, o que me deixa mais em baixo, mais de rastos, mais "vencida" e revoltada comigo mesma.

Hoje, agora, acabei por aqui verter palavras e emoções que me vão na alma e no coração. Sem contar.
Talvez me esteja a fazer bem.
A verdade é que tenho é de sair de casa e ir viver. Urgentemente!

Uma vez mais o medo. O medo de não conseguir! Mas para o saber há que tentar!
Primeiro vou ter de vencer a inércia que se está a apoderar de mim. Vou TENTAR vencê-la, que o sofrimento é grande, para todos!

25.8.08

Hoje





Hoje sinto-me tããão bem!

Desde que tive a minha filhota que tenho andado bastante cansada e muito mais desorganizada do que já sou por natureza.

Quase três meses depois, sinto que tive um dia em que "quem comandou as tropas" fui eu, sem ter ajudas externas, consegui fazer várias tarefas em casa com a minha deliciosa na espreguiçadeira a ouvir atentamente as minhas explicações e paleio (sem chorar e com direito a alguns sorrisos!), demos dois passeios ao ar livre (um deles numa zona nova, lindíssima de verde e água), estivemos com todos os Avós e conhecemos mais uma Tia-Avó.

Não me sinto cansada, não me sinto deprimida, não me sinto incapaz, não me sinto "uma merda de mãe".
Pelo contrário: sinto-me Mãe!, com tudo o que a palavra implica! Sinto-me completa ou algo parecido.

A minha pequenita já dorme.
Hoje faço eu "o turno da noite", ainda tenho de tirar leite (sim! 15 dias depois, voltei a poder dar-lhe o meu leite. Felizmente não secou até ao fim e dou-lhe um biberon de leite meu por dia!!) e fazer algumas coisas cá em casa.
A temperatura está excelente e vou dormir com umas belas "frinchas" do estor abertas, para me sentir mais fresca ainda.
Já tenho "programa" para amanhã e para 4ª feira e vou dar o meu melhor para que sejam dias tão agradáveis e serenos como o de hoje.

A verdade é que, independentemente de serem ou não... o dia de hoje foi muito especial!

28.7.08

Tenho andado


Angel of Mine

Child of my heart


Tenho andado fugida
Tenho andado sem tempo livre
Tenho andado sem cabeça

Quase dois meses se passaram e a vontade de vir aqui descrever muitos momentos, vitórias e angústias tem sido muita, mas vamos passando pelo tempo e ele não espera, como um combóio que apita e segue para a paragem seguinte, a fazer "pouca-terra, pouca-terra!".

Durante estas semanas tenho vivido muitas das maiores alegrias da minha vida, assombradas por algumas angústias e sofrimento. Hoje? Sinto-me muito melhor, mais capaz e menos assustada, mais mentalizada com algumas situações, o que me ajuda a viver mais em pleno o novo amor da minha vida, a minha nova família, a minha nova condição de Mãe.

A E. nasceu lindamente dia 6 de Junho, pelas 11:49. Media 48 cm e pesava 3,160Kg.

Cheguei à Maternidade com 8 cm de dilatação (Ganda maluca! Ou corajosa?), pois não queria passar por todos os protocolos hospitalares, como ficar deitada, acelerarem o parto, ter 30 mãos a avaliar a dilatação, epidural e afins.
Como sabia que a E. estava bem posicionada, na véspera segui para Coimbra e ficámos em casa de uma Amiga. Já ía em trabalho de parto, sabia-o, mas não sabia em que fase. Durante toda a noite o meu companheiro de viagem dormiu, acordando de vez em quando para dizer "Se precisares eu estou aqui!". Eu acenava que não, pois sabia que a sua ajuda era levar-me de imediato para a Daniel de Matos, por isso... em silêncio e nas posições mais estapafúrdias fui avançando no trabalho de parto. As contrações tornavam-se mais claras e mais fortes, o rolhão (parecia-me e depois confirmei) saía aos poucos e tive necessidade de alguém que me compreendesse e ajudasse.
Liguei a uma Amiga e com ela fui comunicando, via telemóvel, noite fora. Foi a minha companheira, a minha força, o incentivo de que precisava e o dia foi clareando.
Contactei outra Amiga e outra luz se acendeu no meu esforço, outra força se juntou a mim e à minha filha. Éramos três a ajudá-la a preparar-se para nascer!
A voz, as palavras, as mensagens, a partilha de uma contração via telemóvel foram o que precisávamos e que nunca poderei agradecer devidamente, tal o carinho e gratidão num momento tão-tão especial!

Entretanto o cansaço começou a tomar alguma conta de mim e tentei ficar deitada. Pareceu que as contrações diminuiram de intensidade, mas eis que oiço um estoiro (literalmente) e me rebenta o saco. Colchão, tapetes, chão, corredores, casa-de-banho, toalhas, escadas, banco do carro, caminho até à maca das urgências, roupa nem falar! Impossível descrever, impossível prever tanto, mas tanto líquido.

Às 11h saio de casa da Amiga (com todos em estado de sítio) e em 15 minutos estamos na Maternidade. Da minha boca só saía: "Vai depressa, ...! Vai depressa!" e ele lá ía ao volante, com uma tranquilidade aparente, mas comigo a orientar o caminho.
Ao chegar às urgências ligo aos Pais:
- A Mãe?
- Não está. Foi... "
- Esquece, esquece. Vai nascer! É agora! É agora! É agora!"
Não sei quantas vezes disse isto, mas o meu Pai diz que foram muitas! Desliguei de rompante, entro nas urgências, sou observada e oiço um berro. "Esta tem de ficar, haja cama ou não. 8 cm!"

Vou para a sala de partos e entro em período expulsivo, que pareceu durar uma eternidade e eu não ser capaz, mas que resultou com a E. a nascer e eu a olhar o meu cara-metade e dizer: "Consegui!", "Conseguimos!!".
Esteve sempre ao meu lado, e das poucas vezes que tive para recuperar fôlego (foram poucas, diga-se), olhava para ele e perguntava, ofegante: "Estás bem? Estás bem?"

A minha obstetra apareceu na sala a meio desta fase e fez-me bem vê-la. Tinha muitas vozes de comando e não me conseguia concentrar. Gritei como uma verdadeira bezerra e dizia: "Não consigo! Não consigo!"

Um dizia "Puxe!", outro "Não grite!", outro "Como é que faz quando tem prisão de ventre?" (a este respondi: "Na vertical!!!"), outra "Tenha calma!", outra "Assim não vamos lá!", outro "Olhe que está a fazer sofrer o bebé. Controle-se!" e ainda outra vozinha "Se quer agarrar alguma coisa tem aí a mão do marido. Não me parta é a minha!".

No final apercebi-me que uma pessoa me deu os parabéns, depois outra, seguida de outra e mais outra e outra e outra... Tinha tido n estagiários a assistir e nem tinha dado conta que era tanta gente!

Enquanto me cosiam (sim, não me safei da episiotomia, que bem me fez sofrer dias a fio), a minha filha estava com o Pai e uma enfermeira numa salinha ao lado.
Por mais que perguntasse: "Já posso ficar com ela?", a resposta era sempre a mesma: "Tem de ficar aqui que está mais quentinho. É só mais um bocadinho!"... mas pareceu uma eternidade!!
O maridão ía e vinha: "Ela é parecida contigo!". Mandava um sms, tirava-lhe fotografias e voltava: "Tem as unhas tão grandes!" e eu a pensar: "Quero abraçá-la, acarinhá-la, beijá-la, vivê-la! O calor do meu corpo não é menor que o do raio daquela sala. Tragam-ma, bolas!". Mas aguardei, apesar de perguntar mais 30 vezes "Já posso?"

Finalmente veio para mim! Misto de sensações, peito de fora e eis que ela atraca de imediato! Nem tive tempo para pensar, pois quando dei conta estava a ser deliciosa e delicadamente "sugada". Uma das melhores sensações da minha vida!!!

E tudo estava bem connosco!!

Três dias depois faço a viagem de regresso a casa e começa o cansaço, a desorientação, o stress, a insegurança.

Sempre soube que um bebé não se limita a comer, dormir e fazer xixi/cocó, mas houve muita coisa nova demais para mim, a juntar às dores que insistiam em manter-se da episiotomia. Quando a E. adormecia eu "gania" com dores e fiquei bastante dependente do maridão e da minha Mãe nos primeiros dias.
Entretanto a odisseia dos mamilos a doerem, o não saber se havia de "ceder" aos pedidos constantes da E. para mamar, os telefonemas novamente às Amigas, o não ter ninguém na mesma cidade que falasse comigo cara-a-cara e me acalmasse (sem ser marido e Mãe).
Uns dias a minha Mãe ficou, outros senti-me mais forte e voltou para casa.

Entretanto passou-se um mês e tudo parecia começar "a rolar". Dar a mama já se fazia de "mama às costas", a E. começou a fazer noites de 3 a 6 horas, mas eu... não conseguia dormir!
Dia após dia sentia-me mais fraca, com náuseas, com uma ansiedade brutal a tomar conta de mim.
O maridão começou a trabalhar, eu a sair um pouco de carro com a E. (após a revisão pós-parto, onde ainda me tiraram 3 pontos. Eu bem que me queixava!), mas a insegurança e o medo de falhar a aumentarem e a tomarem conta de mim.

Dia 16 de Julho, à noitinha, chorei e solucei horas a fio agarrada ao maridão. Partilhei os meus medos sem vergonha, os meus pensamentos mais íntimos e tremi, com o coração acelerado e apertadíssimo. Dormi, exausta, 1 hora! Na manhã seguinte não tinha força para me levantar, desfazia-me em lágrimas e em medos.
Senti que perdi o controlo da situação e a exaustão tinha tomado conta de mim.
Tive medo de colapsar, de morrer, de não acompanhar a minha filha, de ser internada, de, de, de...

Nesse dia amamentei pela última vez!

Por indicação médica comecei a fazer um tratameto que me impedia de dar de mamar (que foi mais uma das minhas conquistas e tanto prazer e bem me fazia e à E.). Doeu (ainda dói!!), mas foi a única alternativa que se viu e, começo a acreditar, que tinha.
Entre a E. ter mama ou ter Mãe...

Durante o dia tirei todo o leite que pude e fui congelando. Parecia que anda acreditava que não ía passar ao leite de fórmula e dei de mamar mais duas vezes, até tomar a medicação.
Foi tão bom quanto doloroso: amo a minha filha, ultrapassei as fases chatas da amamentação (mamilos doridos, etc) e adorávamos as duas a hora da mama. O peso dela esteve sempre óptimo, o que era um orgulho para mim!

Nos primeiros biberons chorei, chorei muito! Até porque eu continuava a ter muito leite, estava mesmo ali à mão e eu não podia pôr a mama de fora e dar-lhe. Bombear para aliviar o peito passou a ser um suplício, pois o leite que saía era muito, mas era despejado no ralo da banca da cozinha.

Uma semana e pouco depois já lhe dou o biberon com um sorriso quase tão feliz como lhe dava de mamar e estou feliz por ela se ter adaptado ao leite de fórmula e os intestinos estarem a funcionar bem. Partilho a tarefa com o maridão (que faz as noites, para eu poder fazer o tratamento da insónia e tem sido um Paizão!) e a minha Mãe (que tem sido uma ajuda preciosa! Mãe a dobrar, mesmo!).

Muito mais há para escrever, mas faz-se tarde e tenho de dormir. A E. já dorme, depois de uma banhoca, leitinho, algumas cólicas e colinho. Teve direito a um passeio por sítios verdes, ao final da tarde, com os avós maternos e aqui a Mãe.

Como é que ela é? Sou suspeita, mas costumo dizer que "Para lá de saudável, tivémos a sorte de ser tão bonita!" E... cheira tão bem!! O meu último acto antes de me enfiar na cama: cheirá-la :O)

Até breve!

11.6.08

NASCEU!


Nasceu 6ª feira, às 11:50!
Depois escrevo mais. Agora deixo em letras enormes: AMO-A TANTO!!!
A ela e a ele, o meu Companheiro de Viagem!
Obrigada pelas palavras que me deixaram.
Volto em breve!

4.6.08

A chocar, chocar, chocar...

retirado de elotopia.net

Dias 28 de Maio e 3 e Junho foram dias de consulta: o 1º ainda no Espaço Fertilidade, o 2º já na Maternidade Daniel de Matos.
Ok, foram também dias de mudanças de lua, mais uma razão para estar "alerta" quase as duas noites inteiras que antecederam as consultas...

Dia 28 ía animada, convicta que não estava ainda o parto para os dias seguintes, caprichei um pouco na roupita e na aparência em geral e aí fomos nós em ambiente de boa disposição.
A Dr.ª Elvira gostou do que viu (inclusivé a minha maior tranquilidade/segurança) e só foi "mazita" no toque, pois tenho o colo do útero posterior.
Análise urina ok, dúvidas e questões e mais uma sintonia: nem eu nem ela estamos com pressa que a bebé nasça, por isso "Deixe-a lá estar, que a Maternidade está em obras e estamos com menos camas!"
Ficou nova consulta marcada para dia 3, já na DM (pois ela estaria de serviço) e uma análise a uns streptoccocus malandros que fomos entregar de imediato e ficámos de levantar dia 3, antes da consulta... ou antes, quis ça?!

A semana decorreu bem. Com umas noites melhores que outras em termos de sono e dorzitas pelos tendões do útero, dei algumas voltas, comprei a faixa pós parto, vimos cortinados para o quarto da piolha, estivemos com amigos, almocei com os meus Pais, falei com um enfermeiro obstetra e fiquei um poco mais aliviada com algumas questões (a sua disponibilidade ao telefone e, se der no momento, será total para me acompanhar no TP), ri a bom rir com o que considerámos um exagero na partida da Selecção de Poretugal para a Suíça e dei muito, muito miminho à minha filhota e à minha barriga.
Quase todos os dias tirava nem que fosse 1 foto, pois nunca sei quando será o último dia desta gravidez.

Na 2ª feira( dia 2) começou o nervoso miudinho: consulta no dia seguinte, na maternidade, ficar já por Coimbra? Haverá alguma dilataçãozita? Já pesa tanto, a catraia! Ai, ai!
Resultado: encafuada em casa todo o dia, a matutar, a acalmar, a "navegar" um pouco pela net, a pensar, pensar!

E dia 3 lá fomos nós, ainda aqui a minha pessoa gravidola.
Andei pela casa a vaguear e a fazer as coisas muito devagar, não só pela falta de agilidade, mas porque parecia que sentia que já não voltaria a ela grávida.
Voltei a "pôr-me bonita", estava um sol lindão e aí fomos nós.
Chegámos mais tarde do que tinhamos previsto na véspera, a consulta demorou mais porque envolveu registo (coisa que me stressa por um lado, sempre que vejo algo que me parece possa ser menos bom), a análise ao bichinho deu negativa e na observação aí vai a miúda passar por 3 "enfiadelas de mão", pois a médica não conseguia chegar ao fugidio colo posterior.
"Relaxe!"
"Ok, ok. Peço desculpa! Deixe-me só respirar fundo!", respondi entre a 2ª e a 3ª tentativa de toque.
Mole, curto e fechado. Imprevisível, portanto, se a minha filhota se vai manter cá dentro, feliz e contente, até sábado (que é quando a médica está de serviço todo o dia).

No máximo, na próxima 3ª feira, dia 10, tenho de lá voltar, depois de ela entrar de serviço, às 21h.

Mas o meu instinto diz-me que até lá temos filhota cá fora.
Quero muito, e acima de tudo que ela esteja bem, mas a verdade que lá vou falando com ela a tentar que aguarde até sábado.
Sinto outra confiança e já algum à vontade com a Dr.ª Elvira e acho que serei mais bem compreendida se lhe pedir para não me acelerarem o parto ou enfiarem demasiado cedo na sala de partos. Pelo menos assim vou acreditando que será se for ela a acompanhar-nos.

Na 3ª à noite vi que tinha uma bela manchoca castanha na cueca e vai de dizer sozinha "Pronto!" e, com alguma calma, pensar no que fazer, decidir não ligar logo ao maridão, pensar num banho e em comer primeiro e ligar a uma amiga.
Assim foi: da amiga, liguei à enfermeira amiga da DM e daí à médica, que me confirmou ter sido da observação. Ambas me reforçaram para estar alerta para outros sinais e cá estou: alerta!
Ontem quase nada a declarar, hoje uma micro-gelatina suavemente acastanhada. Será o rolhão?
O facto é que tencionava passar a tarde deitada (para não forçar nadinha, com os olhos postos em sábado!!), mas não parei quieta todo o dia. Roupas, louça, arruma, leva, traz, baixa, levanta, banhoca, net, tirar mais umas medidas, comer, sei lá!

Sinto o peso maior, parece-me que a barriga está um pouco mais descida e por vezes pareço não distinguir entre a E. (nome provisório? Daí ainda não o escrever!) a mexer ou o útero a contrair.
Após o almoço não me apetecia nada que o maridão fosse trabalhar!
Queria-o aqui comigo, nestes que sinto serem os últimos dias (horas?) de grávida.

Entretanto, vem uma amiga passar um pouco. Por incrível que pareça, nem sei se me apetece ou não: sei que me apetece estar no ninho, a chocar, chocar, chocar... ao mesmo tempo que na esperança de que nasça só sábado, corra tudo bem e o sol continue a brilhar nas nossas vidas!

26.5.08

Estamos bem!


Sim, estamos bem!
Depois daquela semana agitada, outra se passou em que a harmonia e a serenidade voltaram, pé ante pé, a surgir.

A consulta correu bem (a saber: eco confirmou rim dilatado, mas se sem dores é natural desta recta final da gravidez e observação com a minha médica deu "colo do útero mole e fechado").
Cantou-se na viagem para lá (havia esperança de estar tudo bem e voltar para casinha) e no regresso!

Nessa tarde "aventurei-me" no meu bólide e fiz algumas coisas pendentes (não muitas, é verdade!!): enviar um mimo a quem já me enviou o pano porta bebé (é lindo, lindo, lindo e anseio usá-lo, com a catraia lá dentro, de sorriso na cara) e comprar mantimentos para a casa, a que juntei a banheira para a piolha (havia algumas pessoas que podiam emprestar, mas tiveram alguns precalços e comprei uma bem simples, cor-de-rosa, com um tripé branco de metal. Dá para encaixar na nossa banheira, não é "mini", nem tem muda-fraldas. Essa parte adapta-se em cima da cómoda, que tem a altura ideal).

Bom, na 4ª o rim voltou a dar sinal, mas decidi não entrar em parafuso, nem ir a nenhum hospital, muito menos ficar internada: Urologista fora do país, ligo à médica. Ok, fazer a medicação via oral 3 dias e cá estamos: sem dores e sem estadias em "hotéis" :O)
Ainda deu para saborear um pouco mais os primos que cá estavam (a piolha deles fez 1 ano nesse dia e foi muito bom) e que se íam embora no dia seguinte

Entretanto, tenho aproveitado para descansar bastante e, pelo meio, mandar uns "ais!" com as tropelias que a filhota cá faz dentro e se reflectem em tudo quanto é órgão, osso, músculo ou cartilagem.
Nem sempre é fácil dormir, com o corpo a doer, os ligamentos a queixarem-se, a aziazita, a cabeça a pensar e a pensar e as idas mais que frequentes à casa de banho. Mas se não é à noite, dorme-se de manhã, como hoje, ora pois. O importante é conseguir e não voltar a ficar exausta como naqueles dias.

No feriado e no fim de semana aproveitei bem o maridão: caminhámos um bocadito, estivemos com amigos, fomos ao lançamento do livro de um amigo, almoçámos em casa dos meus Pais, arrumámos mais algumas coisas cá em casa, recebemos amigos (coisa simples e casual) e... montou-se a caminha!

Esta semana temos consulta 4ª feira (dia de mudança de lua..., o que me deixa no mínimo curiosa!!) e vamos lá ver o que diz a médica em relação à DPP: se se mantém ou não.
Acima de tudo desejo que o parto corra bem e que estejamos os três de saúde. Se lhe puder juntar o já estar em Coimbra e evitar a viagem em TP, ora vamos evitar, pois claro! Logo se vê!

Entretanto, está um dia chuvoso e parece-me que ficarei por casa. Vou fazer a cama da filhota, arrumar mais algumas pequenas coisas, ler e tratar de assuntos de trabalho pendentes (engraçado como deixo isto para o fim...).

Espero que a catraia (sim, ainda não está o nome decidido...) continue a gostar do tratamento que tem cá dentro e continue a crescer bem e mexerica, até decidir que está "madura para colher".
Ando meia fisgada com as mudanças de lua... Dia 28, dia 3 (lua cheia!), dia 10 e 18. Será?

O maridão ri-se cada vez mais com as minhas figurinhas a calçar (e ajuda!), a virar na cama, a agarrar coisas do chão e fica fascinado a olhar para o tamanhão da barriga! Faz humor e dá amor, o que é saboroso demais e me faz dizer-lhe, às vezes: "Ai! Não me faças rir... Não vês que dói?!". Depois lá olhamos um para o outro e "escangalhamo-nos" os dois.

Ontem, ao deitar, disse-lhe: "Os nossos dias a dois, cá fora, estão por pouco. Estás preparado?"
E ele, que anda a ler "O Grande Livro da Criança" (sim, eu já li grande parte há mais tempo e agora ando pelo "Rio das Flores" - assim se desfaz a incógnita do outro post!), respondeu que sim, que nos vamos preparando, como toda a gente.
É tudo tão novo, tão belo e com friozinho na espinha, ao mesmo tempo!
Como dizia ontem o nosso amigo "Está quase: TIC-TAC, TIC-TAC!"

Mas o maridão continuou e referiu um comentário tido com esse amigo que veio ajudar a montar a cama. Percebi que tinha havido "conversa de Pais-Homens" e achei delicioso, até porque gosto muito da "filosofia de vida" daquele casal e acho que dão uma educação e um amor fantásticos ao catraio de 5 anos que já têm e darão, concerteza, igual ao que vem a caminho (2 mesitos atrás da nossa).

Bom, e há dias, a ver uma série no Canal 2:, deparei-me com uma cena que me levou às lágrimas: um casal a tentar, uma de muitas vezes, engravidar no dito período fértil. Os comentários de cada um, as expressões, a situação toda em si, fez-me levar de imediato a mão à barriga e acariciá-la muito, grata, muito grata!
Enquanto as lágrimas me corriam, revivi na pele o sofrimento e o desespero daquela fase, lembrei a mana e a amiga "de carne e osso" e lembrei-me de muitas de vós: umas já com os catraios ao colo, outras a aguardar, outras em busca. Senti uma quasi-vergonha por me queixar destas "niquices" de final de gravidez e apeteceu-me pedir desculpa, nem sei ao certo a quem. Depois, rapidamente percebi que cada fase é uma fase e que em todas elas temos direito a sentir!

Desejo que sintam o que sinto actualmente, muito em breve, e se queixem destas pequenezas que fazem da gravidez o que ela é: uma gravidez, nos nossos casos extremamente desejada!

19.5.08

A semana passada


A semana passada foi uma verdadeira odisseia ou, pelo menos, sui generis.

Deito-me no domingo bem disposta, feliz por fazer anos no dia seguinte e ter comigo os melhores presentes possíveis: o nosso bebé, o meu maridão, a família mais próxima (apesar da mana estar a milhares de kms, está sempre aqui juntinho ao coração!) e bons amigos!

E assim foi, mas fui surpreendida logo no início da madrugada por uma dor violenta no rim direito e a urina extremamente escura.

Dia de anos passado a ligar à médica, a ir às urgências à Daniel de Matos (Coimbra) e a regressar um pouco melhor e medicada. Bolo com família depois do jantar e "Agora vamos lá todos dormir, sff!".
Passa em 24h, ok. Não passa, internar.
Passou (ou aliviou muito), mas na 3ª à noite a dor volta estupidamente forte: urgências daqui e noite a soro com medicação. 4ª de manhã eco aos rins (confirmou-se estarem dilataditos, principalmente o direito) e o médico diz-me não poder ser seguida em 2 lados:
- Quando tem consulta?
- Por acaso hoje, em Coimbra.
- Então vá e a sua médica que decida.

Consigo dormir 15 minutos, pois estava exausta de 2 directas e a cabeça já não conseguia pensar, nem o coração sentir excepto medo (muito!) e angústia.
Na consulta é-me dado a escolher regressar com medicação ou ser feito um telefonema para a Daniel de Matos e ficar internada. Não consigo decidir! Sinto-me insegura se regresso a casa, mas ficarei sozinha e longe se ficar internada. Só consigo chorar e soluçar, qual criança.

Opto por ficar e, nas urgências de lá, a médica que me atende surpreende-me com um toque brutal que me faz literalmente trepar pela marquesa e concluiu com: "Mas isto está para nascer! A cabeça está já aqui, o colo muito curto. O marido está? Ele que traga a mala. Preparam-na?!"
No desgaste físico e psicológico em que me encontrava, sem sintomas de trabalho de parto, tremo por todo o lado, suo fortemente e desespero um pouco, incrédula, só conseguindo dizer vezes sem conta "Mas como? Como?"

Bom, 4ª à tarde sou internada, 6ª tenho alta e nos registos nada de sinais de trabalho de parto: Safa! Estava a iniciar as 36 semanas. A data prevista é entre 12 e 16 de Junho, sentia-me perdida e pega de surpresa. Parecia que tinha levado uma estalada valente!

A medicação no soro fez efeito, senti-me cada vez melhor e lá fui conseguindo descansar um pouco na1ª noite e umas horas seguidas na 2ª.

Custou muito não ter o maridão ao lado todo aquele tempo e... estar constantemente a pensar:
"Será que é agora?"
"Sinto-me tão húmida: será que me estão a rebentar as águas?"
"E se entro em trabalho de parto e é de noite, sem a minha médica cá nem o maridão?"
"Como irá correr?"
"Sairei daqui de barrigota ou de filhota ao colo?"
"Estou preparada para parir?"
"Que me vão fazer?"

Na 6ª a bendita alta e o regresso a casa.
Dois dedos de conversa com a minha médica que se apercebe da minha fragilidade emocional e, enquanto me chama à atenção para ela, me aconselha tomar um ansiolítico e uma boa noite de sono.
Acrescenta que "Há médicos mais apressados que outros!", quando lhe falo do susto que apanhei quando dei entrada. Fico mais sossegada, mas a senti-me uma infantilóide que não soube lidar com um imprevisto e é apanhada nesse medo.

Entretanto tenho dormido bem e começo a recuperar a minha sanidade mental (será?!).
Tenho feito por esquecer o "veredicto" da tal médica e relaxar até à data prevista de parto, pois dei-me conta do pavor que tenho do parto, ou melhor, de entrar em trabalho de parto a dezenas de kms de distância, de poder não ter a minha médica por perto e de só deixarem o meu marido acompanhar-me após os 3 ou 4 cm de dilatação.

Se me pudessem garantir que essas condições estavam reunidas, o pavor passaria a receio, mas não podem!
Amanhã voltamos a Coimbra: eco renal e consulta com a minha médica.
Espero regressar a casa tranquila e sem me sentir uma menina mimada e indefesa e ainda ir à consulta do dia 28 com a minha pimpolha na barrigota, mexerica e a crescer, e serenidade na alma e no coração.

Bom, e fica o desabafo!
Bons sonhos, que já é tarde!

10.5.08

Lado a lado...






... cada um em sua mesa de cabeceira.
Quem lê qual?

Apeteceu-me!

3.5.08

Comentários


Os comentários são das coisas mais curiosas, mas também irritantes, durante o período de gravidez.
Tantas vezes desadequados ou intrusivos, tantas vezes inapropriados ou dispensáveis, deixam-me com uma sensação de "propriedade pública" que me desagrada e me irrita.

Já não desenvolvo a questão de tantas e tantas vezes, pessoas que praticamente não conhecemos e com quem tão pouco nos cruzamos, chegarem junto a nós e, sem uma palavra, começarem logo a esfregar-nos a barriga e ficarem assim, a seu belo prazer, o tempo que lhes apetece.
Já o contrários, os amigos e os conhecidos que nos perguntam "Posso?" com um sorriso e nos afagam a barriga com muito carinho, é delicioso de saborear!

Voltando aos comentários!
Deparei-me logo nos primeiros meses de gravidez com comentários sobre o parto, o sofrimento, as dores, etc.
De seguida vieram os 500 mil palpites sobre ser menina ou menino: uns baseados na intuição "que nunca falhou", outros no formato da barriga, outros ainda no estado da pele ou no facto de não ter enjoos.
Bem, pelo meio oiço comentários das mais diversas situações relativas à gravidez, mas ultimamente o "prato do dia" são:
- "Vai(s) ver que ainda vai sair menino! Aconteceu à não-sei-quantas blá blá blá..."
e
- "Não sejas burra: pede cesariana, que não sofres nada e eles saiem perfeitinhos, sem sofrer!"

Ora bolas!
Quem pediu sugestões? Quem quer andar agora a pensar se é um ou uma filhote/a que tenho aqui a crescer dentro (e com a mania de aleijar nas costelas?!)? Quem quer andar a matutar no parto e tipo de parto mais do que já ando? Se vai ou não correr bem? Etc, etc, etc. EU NÃO!

Depois de me informar bastante sobre a gravidez e o parto (informação que já tinha de qualidade e fidedigna antes de engravidar e que tenho vindo a consolidar e acrescentar), parece-me que as minhas decisões só terão que ser respeitadas e nada me deverá ser imposto, a não ser que seja para salvar uma ou as duas vidas.
É que ninguém me pergunta o que desejo e respeita o que eu poderia responder, se mo perguntassem. Simplesmente despejam-me o que desejam para si mesmas, caso voltassem a engravidar e parir.
E não se poupam aos pormenores que impressionam e nos deixam a pensar. Parece que há uma necessidade que impera em mostrar que foram muito corajosas, ou melhor, as mais corajosas e sofredoras, e conseguiram.
Para mim, Mãe corajosa é toda a Mãe que tenta e faz por dar o melhor ao seu bebé, consciente e informada.
Para mim, o respeitinho é muito bonito e eu gosto e as opiniões também se respeitam, logo as pessoas... ou não.

Bom, estava-me a concentrar mais no parto. Agora vou à questão do sexo do bebé.
Parece não haver um dia em que saia à rua e me cruze com alguém conhecido sem ouvir histórias em que "Tinha tudo azul e nasceu uma menina." ou "Lá andou o miúdo de cor-de-rosa e tiveram que trocar várias coisas".
Em nada me incomoda ter um filhote rapazola e a felicidade é, inquestionavelmente, igual. Isso nem se questiona, caramba!
O que me incomoda é o que me parece ser um prazer quase imperceptível em quem emite os comentários ao ouvir-me dizer "Bem, para mim é igual. Saudinha é que é importante! Ía ficar com as antenas meias trocadas no momento, mas só isso!" e nota que fico um pouco baralhada logo naquele momento.

Hoje foi um desses dias e, no final, tivemos o jantar do meu afilhado. Quem tinha de atirar um comentário prescindível? A minha sogra!
"Eu ainda me ía rir se nascesse um pilas!"
A minha questão é: Porquê? Qual o prazer que a senhora tem em fazer um comentário destes a rir de prazer? Dá-lhe gozo porquê?
A minha resposta foi a mesma de sempre, mas senti que havia ali quase que um "medir de forças" ridículo, como se cada uma defendesse a sua bandeira, o que não faz sentido algum!
Tem vontade de ter um neto? Tem frustração por não ter tido uma menina, como já mo disse em tempos idos? Sabe mais do que as ecos? Se assim for que mo diga claramente que, se eu acreditar, vou já trocar uns babygrows e pensar a sério em nome de rapaz.
Não me faz sentido e, pior que isso, confunde-me! É difícil de perceber?!

A questão do sexo do bebé é algo que já me angustiou há uns meses (não por ter preferências, mas por ter havido mudança no palpite e pelos comentários absurdos - outra vez os comentários! - que ouvi.
Ainda hoje digo ao maridão que só saberei se é menino ou menina quando nascer, mas estou "sintonizada" para rapariga. E é nesse sentido que procuramos um nome (tarefa difícil cá por casa, mas onde se começa a fazer luz).

Bem, o desabafo está feito!

A mexerica está em grande actividade enquanto escrevo e a barrigota cada vez maior e mais redondinha.
O prazer de a sentir é imenso, indescritível. A ele junto as queixas que vou fazendo de já não dormir decentemente, estar quase impossível lavar os pés no banho e calçar e as costas terem começado a doer a sério.
Mas isso, são queixinhas que só não calo porque fazem parte, como todo o amor e felicidade que sinto. Não se sobrepõem, não!

28.4.08

OBRIGADA!



Hapiness

Na 5ª feira o dia terminou em beleza e foi também assim que vivi todo este fim de semana: com uma linda barriga enorme, mas leve como um passarinho - NÃO TENHO DIABETES!

As senhoras do laboratório decidiram pregar-me um grande susto e, tanto por telefone, como pessoalmente, aconselharam-me a falar com a médica com a maior brevidade.
Chorei baba e ranho, solucei como não o fazia há uns tempos e quando, finalmente com o resultado das análises na mão, ligo à médica, venho a saber que "Está tudo bem!".
Dito o 1º resultado. "Normal."
Digo o 2º. "Normal."
Vou ao 3º. "Normal."
Sai-me da boca o 4º e último, que me é pedido para voltar a dizer. "Normal. Está tudo normal!"

"Como? Como é possível?". Abrando a minha angústia e conto, muito resumidamente, o que me disseram do/no laboratório.
Diz-me que os resultados de uma grávida não podem ser lidos como os de uma mulher não grávida (claro! No laboratório não sabem isso?!) e venho a saber que os meus resultados, até para não grávida, estariam no limiar do considerado normal.

SAFA!! O alívio é grande, imenso. Um turbilhão de emoções toma conta de mim e choro, mas choro de alegria e felicidade.
Está um calor abrasador e eu metida no carro, estacionado à pressa, penso, faço e sinto tudo aquilo a que tenho direito, sem reparar em quem passa. Choro a rir claramente, limpo as lágrimas às mãos (não, não há lenços por perto!), rio e sorrio, suspiro, ponho a cara entre as mãos e passo a mão pela cara, sei lá!
"Ligar ao maridão! Ligar ao maridão!", penso e pego no telemóvel. Tinha-o posto em "estado de sítio" meia-hora antes, tal a angústia que me ía nas palavras e a intensidade dos soluços no choro.

De seguida, dou um beijo repenicado na bochecha da minha Mãe (que curiosamente estava comigo naquele momento) e acabo por ligar à mana, mesmo do telemóvel. Que se lixe os euros que gaste: estou feliz e preciso transmitir-lho rapidamente (a ela, que passou a manhã a enviar-me sms de força e companhia para o laboratório e que eu tanto amo!).

Leve e sorridente, sigo o meu dia e vou trabalhar.

OBRIGADA!!!