
Sim, aqui a barrigota da miúda ficou "baptizada", na 3ª feira, depois de termos tido consulta. Porquê? Suspense!
A angústia que me vai assolando pedaços de dia nos dias que antecedem qualquer consulta foi dimunída pela minha dificuldade em raciocinar e manter os olhos abertos desde sábado. Com uma valente constipação, fiquei verdadeiramente "lerda", quase incapaz de fazer raciocínios simples. Muita dorzita de cabeça, lenços de papel, quadrados de rolo de cozinha e rolos de papel higiénico povoaram esta casa e a eles me agarrei, como se se tratassem de bóias de salvação. Espirros, ouvidos "entupidos", o corpo a pedir cama e os sons estranhos que se produzem nestas alturas. Boas distrações para dias pré-consulta.
Na 3ª lá me arranjei, lenta como um caracol preguiçoso, e rumámos a Coimbra.
Já lá, o "almoço" foi de correria, porque a lentidão da Mãe-Caracol fez com que chegássemos a escassos 20 minutos da hora da consulta. O Pai-Caracol (que nada tem de caracol, note-se!) lá se controlava para não mandar uma boquita e engoliu uma sandes bem a correr. Aí vamos nós!
Entrámos esbaforidos, descansei um pouquinho, pesar ("Aumentei 3 quilos? Como? Onde? Bem, esta barriga tem que ter peso e até agora ainda não tinha aumentado nada!"), medir tensão (boa!) e aí vem o saiote branco, o chinelo e o suspense.
Depois de algumas perguntas, eco. Já foi feita na barrigota, depois de umas apalpadelas e medições. Confesso que me pareceu menos nítido e duradouro, mas o principal estava lá: o nosso bebé, com o coraçãozito a pulsar bem e com "boas formas".
Vi um rabiosque delicioso (estou a fazer cara de malandra!!), as pernocas e a boquita a abrir e fechar. A médica lá tentou mostrar um olho, o nariz e uma orelha, mas a malta para lá de lentificada estava mesmo a ter dificuldade em perceber a imagem.
"Já falámos do sexo?"
"Sim, deu um palpite!"
"E qual foi?"
"Que sería rapaz."
"Pois. Isto hoje de rapaz não tem cá nada... Mas ainda não tive tempo para ter um palpite."
E esta, hein?!
Sua Excelência mostrou bem o rabiosque, é verdade, mas quanto a mostrar-se de frente... nickles batatóides!
A médica esforçou-se por "espreitar", mas só conseguiu repetir "Pois, de rapaz não vejo cá nada hoje, não. Vamos ver!"
E fica a malta em suspense!
A morfológica ficou marcada para dia 30. Talvez aí já se saiba.
Que foi uma reviravolta nesta mona, foi. Apesar de não haver uma certeza quanto a ser rapaz, no meu imaginário já um rapazote se formava e com essa imagem muitos pensamentos, sentimentos e tudo o que vem atrás.
Agora não há quase a certeza de ser rapariga, o que me deixa um vazio mental estranho. Como imaginar o meu bebé? Assim mesmo: um bebé!
A consulta que se seguiu foi muito boa. Vi e percebi bem os resultados do Rastreio e quase esqueci que existem amniocenteses. Isto de haver tantos meios de diagnóstico é bom, mas deixa-nos dependentes e com pensamentos e hipóteses que se dispensava!
As análises estão boas (continuo dispensada do suplemneto de ferro), o Utrogestan já é para reduzir e a Aspirina deixa-se em breve, também. Ficam as vitaminas, pois está bem.
Fiz algumas perguntas, o maridão acrescentou a parte do parto ser, em princípio, em Coimbra (anda-lhe a fazer uma confusão que nem disfarça) e saímos de lá bem mais esclarecidos, com respostas calmas e completas, uma disponibilidade para as nossas dúvidas de "Pais de 1ª viagem" e a certeza de o parto ser na Daniel de Matos (a não ser que haja algum imprevisto, coisa em que não vou perder tempo a pensar).
Já na rua, digo ao meu marido: "Com que então pode não ser um gajinho!! Bem, desde que seja um dos dois, tudo bem!" e acrescento: "No máximo em Junho sabemos. Comprem os bilhetes e venham assitir ao espectáculo!"
Pouco depois, no Fórum (onde fui comer bem mais descansada, comprar um livro do Mário Cordeiro, comprar um robe quentinho -tenho rapinado o do maridão!!- e espreitar soutiens), dou por mim a repetir a 1ª frase que me saiu à saída do Espaço. "É o que eu digo: desde que seja um dos dois, tá-se bem!" mas dou por mim a continuar o raciocínio, que antes parecia somente uma piada: "É que às vezes há problemas a este nível, caramba!"
Do maridão oiço um raspanete rápido, tipo "Lá estás tu com essas coisas. Tinhas de arranjar outra, caramba. Cala-te lá com isso!". Eu calei, mas a verdade é que um medo semi-secreto fez um frio arrepiante no estômago. Distraí-me, afastei a raça do pensamento sempre que lhe sentia o cheiro e respirei fundo. "Vai correr tudo bem! Vai é ser uma gaja e agora é preciso sintonizar no outro canal. Tudo bem. O principal é que está tudo bem e o sexo pode ser que já se saiba na morfológica."
Bom, telefonemas e sms da praxe (numa das respostas que recebi lia-se: "A tua barriga é um verdadeiro Kinder Surpresa" e a expressão ficou, após uma valente gargalhada), lanche do "meu sócio", soutiens que não dão e vamos pra casa que estou toda entupida e já é de noite.
À chegada, jantamos fora e, a caminho de casa, paramos para falar com 3 amigas. Contam-se as últimas e oiço "Ainda sai um hermafrodita!". Arre gaita!!! O maridão continua como seu sorriso e eu fico piurça por não dar o mesmo raspanete que me deu e angustiada com o que acabo de ouvir. Safa!!
Até ontem à noite não mais ouvi asneirolas destas e aguardo, com calma, a morfológica. Ou outra. Ou ter o meu bebé nos braços.
Mas ontem à noite, cá em casa, sai da boca de um amigo o mesmo comentário. Com este eu estou bem à vontade e não me calo. Sai-me uma asneira valente da boca e pergunto se ele sabe as implicações que isso teria. Que piadas que tenham a ver com a saúde do bebé não são piadas e não gosto nada de as ouvir.
Sei que é o meu medo a voltar, por isso termino com outra asneira e um tom bem sério, na voz e na cara.
E aqui permito-me contar esta agonia que por momentos me assola e, às vezes a custo, mando passear. Xô!
Voltando a 3ª! A ida a Coimbra pôs-me pior da constipação e à noite, já passava das 2 da matina e eu tipo frango-grávido-no-churrasco, de tantas voltas dar, as assoadelas quase intermitentes, lembro-me: "Vapores!" e salto da cama, rumo à cozinha. Meio ben-u-ron, leite morno com mel e uns vapores. Regresso outra ao quarto, já capaz de adormecer, depois de umas fungadelas mais.
4ª feira estive de gatas, de molho, no choco. Não fiz nada de jeito. Li um bocadinho, comi alguma televisão, fiz o mínimo indispensável quanto às refeições e dormi toda a santa manhazinha.
Ontem, 5ª, voltei a reconhecer-me. Como ainda espirrava e fungava bastante e não tinha nada inadiável, eu e o maridão achámos por bem manter-me em casa. Mais uma manhã que se passou a dormir e à tarde vieram os avós do "Kinder Surpresa" visitar-nos.
Hoje o dever chamava-me e não havia volta a dar-lhe. Também me sinto melhor, mas assustei-me com o frio cortante da rua e andei com muito cuidadinho. Pareceu-me ver neve (em vez de chuva) no vidro do carro, mas foi só um "pareceu-me". Aproveitei para ir buscar uma receita ao Centro de Saúde, comprei fruta e o meu amigo "Creme Gordo", que estava a terminar. Carreguei o telemóvel, voltei a sentir o frio cortante e voltei ao ninho. Brincam!!
Nota: Na semana passada, uma das minhas amigas do peito confirmou estar grávida. Ri-me tanto que já quase irritava a rapariga.
No fim de semana, confirmei as minhas suspeitas quanto à gravidez de outra amiga. "Connosco é assim. É logo!", disse referindo-se ao facto de ter sido no 1º ciclo em que tentaram, tal como do 1º filho. Fico muito, mesmo muito contente que assim seja, mas dei por mim no dia seguinte a pensar porque penam tanto uns e outros não.
ESTOU COM TODAS VÓS!