19.5.08

A semana passada


A semana passada foi uma verdadeira odisseia ou, pelo menos, sui generis.

Deito-me no domingo bem disposta, feliz por fazer anos no dia seguinte e ter comigo os melhores presentes possíveis: o nosso bebé, o meu maridão, a família mais próxima (apesar da mana estar a milhares de kms, está sempre aqui juntinho ao coração!) e bons amigos!

E assim foi, mas fui surpreendida logo no início da madrugada por uma dor violenta no rim direito e a urina extremamente escura.

Dia de anos passado a ligar à médica, a ir às urgências à Daniel de Matos (Coimbra) e a regressar um pouco melhor e medicada. Bolo com família depois do jantar e "Agora vamos lá todos dormir, sff!".
Passa em 24h, ok. Não passa, internar.
Passou (ou aliviou muito), mas na 3ª à noite a dor volta estupidamente forte: urgências daqui e noite a soro com medicação. 4ª de manhã eco aos rins (confirmou-se estarem dilataditos, principalmente o direito) e o médico diz-me não poder ser seguida em 2 lados:
- Quando tem consulta?
- Por acaso hoje, em Coimbra.
- Então vá e a sua médica que decida.

Consigo dormir 15 minutos, pois estava exausta de 2 directas e a cabeça já não conseguia pensar, nem o coração sentir excepto medo (muito!) e angústia.
Na consulta é-me dado a escolher regressar com medicação ou ser feito um telefonema para a Daniel de Matos e ficar internada. Não consigo decidir! Sinto-me insegura se regresso a casa, mas ficarei sozinha e longe se ficar internada. Só consigo chorar e soluçar, qual criança.

Opto por ficar e, nas urgências de lá, a médica que me atende surpreende-me com um toque brutal que me faz literalmente trepar pela marquesa e concluiu com: "Mas isto está para nascer! A cabeça está já aqui, o colo muito curto. O marido está? Ele que traga a mala. Preparam-na?!"
No desgaste físico e psicológico em que me encontrava, sem sintomas de trabalho de parto, tremo por todo o lado, suo fortemente e desespero um pouco, incrédula, só conseguindo dizer vezes sem conta "Mas como? Como?"

Bom, 4ª à tarde sou internada, 6ª tenho alta e nos registos nada de sinais de trabalho de parto: Safa! Estava a iniciar as 36 semanas. A data prevista é entre 12 e 16 de Junho, sentia-me perdida e pega de surpresa. Parecia que tinha levado uma estalada valente!

A medicação no soro fez efeito, senti-me cada vez melhor e lá fui conseguindo descansar um pouco na1ª noite e umas horas seguidas na 2ª.

Custou muito não ter o maridão ao lado todo aquele tempo e... estar constantemente a pensar:
"Será que é agora?"
"Sinto-me tão húmida: será que me estão a rebentar as águas?"
"E se entro em trabalho de parto e é de noite, sem a minha médica cá nem o maridão?"
"Como irá correr?"
"Sairei daqui de barrigota ou de filhota ao colo?"
"Estou preparada para parir?"
"Que me vão fazer?"

Na 6ª a bendita alta e o regresso a casa.
Dois dedos de conversa com a minha médica que se apercebe da minha fragilidade emocional e, enquanto me chama à atenção para ela, me aconselha tomar um ansiolítico e uma boa noite de sono.
Acrescenta que "Há médicos mais apressados que outros!", quando lhe falo do susto que apanhei quando dei entrada. Fico mais sossegada, mas a senti-me uma infantilóide que não soube lidar com um imprevisto e é apanhada nesse medo.

Entretanto tenho dormido bem e começo a recuperar a minha sanidade mental (será?!).
Tenho feito por esquecer o "veredicto" da tal médica e relaxar até à data prevista de parto, pois dei-me conta do pavor que tenho do parto, ou melhor, de entrar em trabalho de parto a dezenas de kms de distância, de poder não ter a minha médica por perto e de só deixarem o meu marido acompanhar-me após os 3 ou 4 cm de dilatação.

Se me pudessem garantir que essas condições estavam reunidas, o pavor passaria a receio, mas não podem!
Amanhã voltamos a Coimbra: eco renal e consulta com a minha médica.
Espero regressar a casa tranquila e sem me sentir uma menina mimada e indefesa e ainda ir à consulta do dia 28 com a minha pimpolha na barrigota, mexerica e a crescer, e serenidade na alma e no coração.

Bom, e fica o desabafo!
Bons sonhos, que já é tarde!

6 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns, vi o teu blog aqui:
http://www.apfertilidade.org/blog/

IC disse...

bem que susto!beijinhos e desejo umas semanas mais calminhas, sem sustos ou dores.

amora disse...

Bem, minha querida que susto! Eu tb não sei o segredo para afastar a ansiedade, dado que sempre fui ansiosa. Aprendi determinados truques para enganar o cérebro mas estão longe de serem infalíveis. Acho no entanto que essa ansiedade e fragilidade emocional de nada te ajudam mas o facto da tua médica se ter apercebido poderá ser bom porque concerteza ela terá isso em conta.

Infelizmente acho que os aspectos negativos de um parto são muito mais disseminados pela sociedade do que os positivos, o que faz deste momento quase um bicho "papão". Mas pensa que apesar do incómodo e mesmo da dor do momento (hj em dia cada vez menores) a magia é insubstituível e marcará o início de vida de um novo grande amor. Agarra-te a isso!

um beijinho e desculpa o nº excessivo de letras ;-)

Cláudia, Mãe do Pimpo & Pimpa disse...

Bem, só sustos uns atrás dos outros, fogo...
Espero que daqui para a frente e até a tua Princesa nascer que as coisas corram melhor.
Bjs Cláudia

Cláudia, Mãe do Pimpo & Pimpa disse...

É verdade, e para desanuviar (bem precisas), acertei ou não no "quem lê qual"?
Bjs Cláudia

Mary disse...

Queriduxa, já não vinha aqui á uns dias...espero que esteja tudo mais calmo,e que o teu bebé nasce no tempo previsto.

Beijocas
ISa